Pai é quem faz do pouco um protótipo de mundo,
negocia com a vida no balcão do cotidiano,
e ensina, no silêncio das mãos,
que toda queda é aula, todo erro é rascunho.
Teu colo foi minha incubadora,
tua fé, meu primeiro pitch:
“vai lá, apresenta teu coração”,
e eu fui, com medo e brilho nos olhos.
Tu me mostraste o mapa das metas simples,
o norte da bússola ética,
as pedras grandes do pote do tempo:
amor primeiro, respeito sempre,
trabalho que não compra a alma,
sorriso que paga adiantado a esperança.
Quando a casa virou crise, viraste ponte;
quando o céu fechou, viraste cais.
Persistência na régua, empatia no compasso,
e a coragem, teu velho crachá,
pendurada no meu peito como herança.
Pai é quem sabe ouvir o que não digo,
quem me chama pelo que posso ser,
quem celebra vitória pequena
como quem vê nascer um continente.
Hoje, segundo domingo de agosto,
acendo em ti meu farol de gratidão:
obrigado por ensinar que riqueza
é transformar cuidado em futuro,
que gentileza é a mais valiosa negociação,
e que amar é o negócio mais bonito
a que um ser humano pode se dedicar.
Se o mundo me pedir currículo,
entrego teu exemplo em anexo:
protagonista do simples,
CEO do afeto,
inventor do meu melhor.
Feliz Dia dos Pais.