Márcio Cerbella – Inspiração e Estratégia
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DESeduca, professor!
Data: 13/09/2026
Créditos:
DESeduca, professor! Texto, trilha sonora, edição: Márcio Cerbella
Software para composição: Suno.

DESeduca, professor!

um trap pedagógico para cem linguagens e outros bichos

Eu vim falar de educação

mas antes

vamos deseducar.

Deseducar a fila.

A resposta pronta.

O silêncio valendo nota.

A criança sentada

esperando alguém autorizar

a curiosidade.

Malaguzzi passou por aqui

com umas cem linguagens no bolso e nenhuma cabia

na prova de múltipla escolha.

Reggio Emilia perguntou e se a escola escutasse?

O Brasil respondeu,

depende...

tem formulário?

Então eu cheguei.

Com uma mochila cheia de PPP,

post-it, barbante,

canetinha sem tampa,

metodologia ativa,

um Arduino imaginário

e uma mania perigosa,

perguntar

por quê?

PPP!

Não é

Papel

Parado

na Pasta.

É Projeto.

É Político.

É Pedagógico.

É gente decidindo

que gente

quer ajudar a formar.

Então mexe.

Remexe.

Desmonta a reunião pedagógica.

Professor não é pendrive

pra alguém chegar na formação e fazer download

de cinquenta slides.

Professor pensa.

Cria.

Erra.

Refaz.

Professor também tem

cem linguagens.

Tem professor que aprende falando.

Outro construindo.

Outro rabiscando.

Outro discordando de mim.

Ainda bem.

Porque formação sem desconforto é palestra com cafezinho.

E eu gosto do cafezinho.

Mas gosto mais quando alguma certeza cai da cadeira.

Ciências!

Bota a mão.

Cheira.

Mistura.

Pergunta.

Explode não.

Ou explode pequenininho

e com protocolo de segurança.

Maker!

Se não tem laboratório

tem papelão.

Se não tem impressora 3D

tem tesoura.

Se não tem robô

tem invenção.

Se não tem tomada...

programação desplugada.

Código no chão.

Algoritmo com gente.

Um passo pra frente.

Dois pra esquerda.

Repete três vezes.

Bugou?

Maravilha.

Nasceu uma aula.

Gamifica.

Ramifica.

Prototipa.

Problematiza.

Mapeia.

Investiga.

Colabora.

Mas pelo amor de Paulo Freire

não pega uma aula chata

e coloca pontinho, medalha

e ranking em cima

achando que virou inovação.

Inovação não é purpurina

em metodologia velha.

É mudança de lógica.

É o aluno deixando de perguntar,

Professor, vale ponto?

e começando a perguntar,

Professor...

e se a gente fizer diferente?

Aí ferrou.

No melhor sentido.

Porque nasceu projeto.

Nasceu hipótese.

Nasceu autoria.

Nasceu ciência.

Nasceu aquele brilho no olho

que nenhum indicador

consegue colocar inteiro

numa planilha.

E no meio dessa fauna pedagógica aparece a CNV.

Outro bicho estranho.

Observação.

Sentimento.

Necessidade.

Pedido.

Traduzindo,

antes de responder atravessado

respira

e tenta descobrir

o que existe atrás da fala.

Porque escola também é conflito.

Professor cansa.

Diretor enlouquece um pouquinho.

Coordenador segura oito pratos,

três famílias,

dois projetos

e uma impressora

que misteriosamente

só engasga em dia de conselho.

Educação é isso.

Gente.

Gente ensinando gente

enquanto aprende a ser gente.

Reggio Emilia de um lado.

Brasil do outro.

E no meio

não existe ponte pronta.

Tem que construir.

Com escuta.

Com contexto.

Com barro.

Com tecnologia.

Com cultura.

Com território.

Com criança.

Com professor.

Com comunidade.

Com cem linguagens

e outras cem

que Malaguzzi nem teve tempo de conhecer.

Podcast.

Scratch.

Robótica.

Inteligência artificial.

Meme.

Vídeo.

Stop motion.

Horta.

Cordel.

Trap.

Slam.

E aquele menino lá do fundo

que não abre o caderno

mas desmontou o ventilador

e montou de novo.

Talvez ele estivesse estudando.

Só esqueceram

de perguntar.

Por isso eu continuo entrando

em escola,

secretaria,

sala de formação,

auditório,

roda de conversa,

levando método

e voltando com perguntas.

Porque depois de tantos anos

trabalhando com educação

descobri uma coisa perigosa

eu não treino professores

para terem respostas.

Eu cutuco professores

para produzirem perguntas melhores.

E quando isso acontece

o PPP sai da gaveta.

A ciência sai do livro.

A inovação sai do PowerPoint.

O maker sai do laboratório.

A programação sai do computador.

A comunicação deixa de ser violência.

O projeto deixa de ser tarefa.

E a escola...

ah, a escola...

começa a ficar um pouco

menos escola.

E muito mais mundo.

Deseduca.

Desarruma.

Desaprende.

Pergunta.

Escuta.

Cria.

Porque talvez

a maior metodologia ativa

ainda seja essa

gente ativa

diante da vida.

Menos espera.

Mais movimento.

Menos receita.

Mais descoberta.

Menos “sempre foi assim”.

Mais

e se a gente fizer diferente?

Porque educação

quando é viva

não prepara a gente

para assistir ao mundo.

Prepara a gente

para mexer nele.

E, quem sabe,

fazer a vida

desabrochar.

Enviado por Marcio Cerbella em 13/09/2026
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